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Lendas

A tradição oral do concelho está recheada de histórias e crenças.

 Uma das que mais se destacam é a crença profunda de que a serra é oca e que o mar entra por ela dentro, o que deu origem a várias lendas como, por exemplo, aquela em que se conta que o lago nas imediações do quartel não tem fundo e, por isso, nunca seca.

Também as lendas das mouras encantadas são merecedoras de grande destaque, conta-se que estas habitam a serra há vários séculos, nas grutas e algares, e que oferecem ouro em troca de dádivas de leite.

Para além das já referidas, importa referir a crença na existência de lobisomens e animais agourentos, assim como a crença de que existem tesouros perdidos na serra.

Por último, não pode deixar de ser feita menção ao facto de, nos dias que correm, a Serra de Montejunto ser considerada por muitos a “Serra-Mãe” sagrada e santuário da caça e dos pastores.

LENDA DO SINO DE OURO – ALGUBER

Segundo a tradição, a Infanta D. Maria, filha do Rei D. João III e esposa de Filipe II de Espanha, I de Portugal, padecia de uma doença e passou pela aldeia de Alguber em busca da cura para o seu mal.

Devota à Senhora de Todo o Mundo, invocava-a nas suas preces com a esperança de sarar as suas maleitas de saúde e convencida que só um milagre a curaria.

Para mostrar a sua veneração decidiu restaurar a imagem da dita santa, que já se encontrava em mau estado e para demonstrar toda a sua devoção iniciou uma novena.

O milagre concretizou-se e a Infanta livrou-se do mal que suportava e em agradecimento pelo prodígio ocorrido pediu ao seu pai El Rei D. João III que mandasse erguer uma ermida no cume da serra, dedicada a Nossa Senhora de Todo o Mundo e na qual seria colocado um sino de ouro na torre da capela. Esta Santa deu o nome à serra e o rei não só concedeu o pedido como em 1549 atribuiu a Alguber a autonomia administrativa.

Entretanto quando ocorreram as invasões francesas, esta capela foi destruída e um grupo de habitantes com receio que o sino fosse roubado pelos franceses, subiram a encosta da serra durante a noite para o esconderem.

Segundo alguns relatos o sino está debaixo das ruínas da capela, contudo há quem tenha atribuído a esta Serra o nome de Serra mal arrecadada devido a outra versão que relata que junto do sino de ouro existem mais dois sinos, um de prata e outro de peste, motivo pelo qual ninguém procura os sinos com temor de encontrar o da peste.

O paradeiro deste sino (os) tão misterioso foi levado pelo vento das palavras passadas de pais para filhos estando hoje em parte incerta.

Para além do segredo da localização do sino de ouro, é de referir que depois da destruição, também sucederam acontecimentos estranhos, quando o padre resolveu levar a imagem da Santa para a igreja do Landal (freguesia do Concelho de Caldas da Rainha) mas por diversas vezes, a Santa desaparecia da Igreja e aparecia na capela em ruínas. Então, passaram a transportar a Santa em procissão da capela em ruínas para a igreja do Landal, onde ainda hoje se encontra.

LENDA NOSSA SENHORA DAS NEVES

A Serra de Montejunto ao longo da sua existência também é conhecida localmente pelos sucessivos e persistentes nevoeiros que desperta um lugar de mistério e fascínio, principalmente no imaginário dos habitantes das povoações vizinhas. São cultos, lendas e tradições passadas de geração que os mais velhos ainda contam com um olhar de mistério e fantasia.

Assim, conta a lenda que uma família constituída por pai, mãe e um filho ainda criança subiram a serra para apanharem alguma lenha para cozinhas alimentos e também para se aquecerem.
Passado algum tempo surgiu um intenso nevoeiro e os pais, entretidos na recolha da lenha deixaram de ver o filho, perdendo-se este na imensa floresta.

Muito aflitos começaram a procurar a criança sem no entanto a encontrarem. Além do nevoeiro começou a cair a noite e a esperança de a avistarem era cada vez menos, talvez até porque a serra era habitada por animais ferozes e constituída por buracos profundos, fazendo aumentar cada vez mais uma forte angústia.

Entretanto o dia começou a nascer e com ele um sol radiante e nem sequer se fazia notar a presença do nevoeiro que tanto os atormentou.

Surpreendentemente ali mesmo ao pé dos pais surge a criança com um ar feliz chamando por eles. Com ar de espanto puderam perguntar-lhe onde esteve, pois andavam aflitos na procura, ao que a criança respondeu: -Sabem estive junto duma senhora que tinha um menino ao colo e na outra mão uma Maçã (Nossa Senhora das Neves).

Como forma de agradecimento e louvor os pais desta criança ergueram uma pequena ermida onde colocaram uma imagem de Nossa senhora, que se encontra ao lado da atual capela de Nossa Senhora das Neves na Serra de Montejunto.

LENDAS DO CONCELHO DO CADAVAL

Na Serra de Montejunto, abundam os relatos de cobras que roubam leite, por vezes com a conivência dos pastores, mas quase sempre contra a vontade destes que veem o leite de um animal do rebanho que guardam desaparecer misteriosamente assim como contra a vontade das mulheres aleitantes, em casas das quais entram sorrateiramente de noite, chupando-lhes o leite que devia ser destinado à criança que amamentam.

As tradições orais das aldeias de Dagorda e Vermelha partilham a mesma Moura que se diz habitar a mina de uma nascente, a “Fonte da Moura” na borda da estrada que liga ambas as povoações. Também no Painho existe uma fonte, com o mesmo nome daquela, cuja construção se atribui a uma moura que nela habitava, e da água que dela brota se diz que em tempos, quando grassava uma epidemia na povoação, era a única que, pela sua pureza, podia ser bebida.

Como a Moura Encantada e o Lobisomem, a Bruxa está também sujeita a um fado, crendo-se nas povoações do Montejunto que nasce com esse destino a última de sete filhas consecutivas, afirma-se que é a sétima de sete filhas ou é bruxa ou é benta, isto é tem poderes curativos, sendo este destino contrariado se receber como madrinha a irmã mais velha e o nome Maria.

CAPELA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA, EM SOBRENA

Consta que foi na Sobrena que D. Leonor iniciou a sua famosa relação amorosa com o Conde Andeiro. E terá sido na Capela de Nossa Senhora da Graça mandada construir por D. Fernando, a seu pedido, que sob a nave central, ao nível do piso térreo, foram sepultados o conde Andeiro, então assassinado por D. João Mestre de Avis, e o Conde de Barcelos, embora já não sejam legíveis as inscrições nas sepulturas, apagadas pela entrada dos fiéis naquela Capela.

Reza a tradição oral que o nome da aldeia de Sobrena lhe foi atribuído pela Rainha D. Leonor Teles, casada com o Rei D. Fernando I. Como é sabido D. Leonor havia sido casada com um fidalgo e embora D. Fernando tenha conseguido a sua anulação por Roma, o seu casamento com D. Leonor não agradou ao povo, suscitando uma onda de revoltas, durante as quais esta repousou, quer no Peral na casa 4º. Conde de Barcelos a quem seu marido concedeu uma doação no ano de 1371, quer na Sobrena, ou ainda nas Quintas de Santo António e de Vale Vilão.